quarta-feira, 8 de julho de 2015

1 ano depois.

Completou-se 1 ano do 7 x 1 que a Alemanha nos impôs em plena copa do mundo, em território brasileiro. Não há dúvida de que é o maior vexame da nossa história, talvez até do futebol mundial.
Após aquele episódio, levamos ainda 3 da Holanda e acabamos de cair cedo na Copa América, para um time fraco do Paraguai. A crise do futebol brasileiro, que hoje é evidente, me parece que vinha se desenhando há muito tempo antes da copa de 2014.
Nosso último título mundial foi há 13 anos. Por falar em títulos mundiais, a seleção brasileira sempre dependeu de seus talentos para vencê-los. Primeiro Pelé e companhia. Depois, em 94, um time mediano tecnicamente e fraco taticamente  ganhou uma copa do mundo também pouco virtuosa, muito em função de uma marcação fortíssima e o talento de Romário e Bebeto resolvendo lá na frente. Em 2002, outro time mediano tecnicamente e também pobre taticamente, mas que tinha Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Ronaldo desenrolando nossas vitórias.
Já dava pra ver, no entanto, que o trabalho tático da seleção brasileira não era o que nos dava títulos, mas o talento dos jogadores resolvendo, apesar da pobreza tática. De 2002 pra cá, esse esquema não resolve mais. Em 2006, um time cheio de estrelas (Kaká, Ronaldinho, Ronaldo, Adriano, etc.), fez um papelão na copa. O time treinado por Parreira foi muito mal e não havia nada ali em termos táticos. Na copa de 2010, Dunga levou uma seleção pouco talentosa, Neymar e Ganso eram garotos ainda no Santos e foram rejeitados pela comissão técnica. Taticamente, jogávamos com marcação forte e contra ataque. Não deu em nada.
Todos lembramos de 2014, certo?! O time treinado por Felipão tinha bons talentos, mas o conjunto era muito ruim e fez jogos muito fracos. Alemanha e Holanda nos deram choques de realidade.
Que o futebol brasileiro precisa se reiventar acho que é quase unanimidade. Não se trata de copiar ninguém ou se submeter ao futebol europeu. O caminho, acredito, é adaptar nossas virtudes, sobretudo o talento dos jogadores, à evolução tática que o esporte sofreu nas últimas décadas. Nossos times, inclusive a maioria dos clubes, têm jogado na base do contra ataque, ligação direta, e espera o talento resolver. Não resolve mais.
Para o talento poder resolver é preciso um trabalho tático/coletivo mais consistente, com a posse de bola bem trabalhada, com jogadas e movimentações treinadas, embora não engessadas.  
Muitos acham que temos uma geração fraca. Ora, nossos jogadores se destacam nos melhores times do mundo, alguns dos quais são mais poderosos do que seleções nacionais. Não aceito que um grupo com Neymar, Oscar, P. Coutinho, William, Firminho, Hulk e etc. não consiga formar um ótimo time de futebol. Quem acompanha o futebol europeu vê o que eles fazem lá fora.
Aliás, quando falo em futebol europeu me refiro àquele que é jogado lá por jogadores do mundo todo, e com treinadores também do mundo todo. Nossos vizinhos argentinos por sinal têm técnicos em times de ponta na Europa, e nossos treinadores? Na China, Emirados Árabes...
O futebol não é mais o mesmo, doa a quem doer. O talento sozinho não resolve mais se não existir um trabalho tático muito forte e de qualidade. Este trabalho precisa ser repensado no Brasil e envolve a gestão do nosso futebol e conceitos ultrapassados, que passam por tipos de treinamentos, esquemas táticos, posicionamento de jogadores, por aí vai.
Precisamos observar o que há de mais avançado no mundo do futebol e, não copiar, mas absorver o que for pertinente e adequar nosso talento a tais virtudes. Daniel Alves falou que Pep Guardiola queria treinar a seleção antes da copa de 2014, mas os dirigentes rejeitaram, por medo da reação dos brasileiros.

Não acho que precisamos necessariamente de Guardiola ou de um técnico estrangeiro, mas precisamos, sim, de pessoas melhor preparadas e avançadas na gestão do nosso futebol, independente se espanhóis, argentinos ou brasileiros. Caso contrário, ficaremos apenas com a nossa soberba de 5 vezes campeões mundiais, num passado que fica cada vez mais distante.

Como dizem que todo brasileiro é técnico de futebol. Dou também meu pitaco aqui de uma base de time que penso poderia dar liga, se bem treinado. Oscar e P.Coutinho no meio para trabalhar bem a bola e pensar melhor nossos ataques. Fernandinho protegendo a defesa para as saídas de D.Alves e Marcelo. Hulk aberto na direita para cortar pro meio e chutar, que é seu forte. Neymar partindo da ponta esquerda pro meio e trabalhando com os meias. Luiz Adriano para tabelar e empurrar a bola pro gol. Em forma, poderia ser o Fred. Acho que o ponto crítico é o meio de campo. Temos visto muita pobreza neste setor e penso que Oscar e P. Coutinho podem trabalhar bem naquele setor, organizando as jogadas.



terça-feira, 2 de junho de 2015

Final da Liga dos Campeões: O que há de melhor.

A Liga dos Campeões da Europa é um torneio tecnicamente melhor do que a Copa do Mundo. Sim, é isso mesmo. Claro que a Copa do Mundo tem um apelo especial, o enfrentamento entre culturas futebolísticas e tudo mais, o que é muito legal. No entanto, analisando friamente o aspecto técnico do jogo, a Liga dos Campeões é melhor. Por exemplo: A final deste campeonato para a atual temporada será Barcelona x Juventus. São dois clubes que juntam jogadores de destaque em diversas seleções do mundo. O time catalão tem simplesmente Iniesta, Messi, Neymar e Suarez. Qual seleção do mundo tem algo parecido? A Juventus tem Pirlo, Pogba e Tevez.

Além de contarem com um poderio financeiro que permite contratar os melhores jogadores do mundo, os clubes têm outra vantagem: Treinam e jogam juntos a temporada inteira, enquanto as seleções normalmente têm cerca de 1 mês de preparação para a Copa do Mundo.

Em 6 de Junho de 2015 veremos mais uma final da Liga dos Campeões, disputada em Berlim e, embora muitos acreditem que a Juventus é uma zebra, eu não vejo assim, por se tratar de um clube com a história que tem (Venceu o torneio duas vezes) e, principalmente, um elenco cascudo. Buffon, Chiellini, Evra, Pirlo, Tevez. São jogadores experientes e que não vão ter medo do Barcelona, e à eles se juntam Pogba, o grande destaque francês do momento, e Vidal, jogador chileno que tem muita força física e qualidade técnica. Além do mais, o time italiano eliminou o todo poderoso Real Madri nas semifinais. Os catalães não terão vida fácil em Berlim.

O Barcelona teve um início de temporada difícil sob o comando de Luís Enrique. Mas, transformou-se numa equipe sólida e os três grandes talentos se entendem hoje como se jogassem juntos há anos. O tipo catalão domina a Espanha e, independente do que acontecer em 6 de junho, é um dos maiores times de futebol do mundo. Isso graças, principalmente, ao fato de contar com o que há de melhor do futebol sul americano no momento. Os melhores atletas de Argentina, Brasil e Uruguai estão ali, destruindo defesas e promovendo espetáculos. Messi (Artilheiro da Competição), Neymar e Suarez formam hoje um ataque impressionante, como poucas vezes se viu nos últimos anos. O poderio sul americano tem a companhia do que também há de melhor no futebol espanhol: Andrés Iniesta. Um dos melhores meias em atividade no mundo, se movimenta do meio para o ataque com bastante tranqüilidade e qualidade técnica, deixando os astros sul americanos na cara do gol frequentemente.

Todos que acompanham o Barcelona sabem que o esquema do time não muda muito. É um 4-3-3 quase sempre, sem mistério. Agora, em relação à Juventus, a equipe italiana tem jogado mais no esquema apresentado aqui (4-4-2), principalmente nos jogos da Liga dos Campeões, embora tenha atuado num 3-5-2 em alguns jogos.  Ambos esquemas têm vulnerabilidades contra uma equipe com um poder de fogo como o Barcelona. Os laterais da Juventus devem atuar como defensores mesmo numa linha de 4 jogadores. Pirlo fica à frente da defesa, bem na seção onde Messi gosta de circular. Ali o maestro italiano constrói as jogadas e distribui o jogo, com uma qualidade rara. Aliás, será fantástico vê-lo novamente disputando uma final de Liga dos Campeões. É bom o Barcelona prestar bastante atenção em Pirlo, pois, se der liberdade terá problemas. Pirlo, Marchisio, Pogba e Vidal formam um meio campo fortíssimo, com grande poder de marcação e qualidade técnica para construir jogadas e finalizar a média distância. Estes meias vão travar um embate bastante interessante com Iniesta, Rakitic e Busquets.

A movimentação do ataque barcelonista tem destruído defesas ao longo da temporada, sobretudo quando Neymar e Messi partem das pontas para o centro, arrastando junto os laterais e deixando um espaço enorme para o avanço de Daniel Alves e Jordi Alba. Neste sentido, será fundamental a atenção da experiente defesa italiana e a cobertura de Marchisio e Pogba pelos lados.


Por fim, um componente essencial para um jogo já naturalmente tenso será o reencontro de Suarez e Chiellini. O Uruguaio tem histórico de comportamentos, no mínimo, inusitados em campo. O bravo uruguaio mordeu o ombro do zagueiro italiano durante um jogo da Copa do Mundo de 2014, lembram? Chiellini certamente se lembra.


segunda-feira, 25 de maio de 2015

Olimpíadas Rio 2016. O Brasil no Top 10?

Em outubro de 2009, depois de três tentativas frustradas, o Brasil ganhou o direito de sediar as Olimpíadas de 2016, a ser realizadas no Rio de Janeiro, a primeira em solos sul-americanos.

A partir de então, tínhamos cerca de 7 anos até a festa de abertura dos jogos, no histórico Estádio do Maracanã.

Desde a escolha do Rio de Janeiro para sediar os jogos até hoje (Maio de 2015), tivemos 3 ministros do Esporte: Orlando Silva, Aldo Rebelo e George Hilton. Todos especialistas na área, certo? Errado. Todos com experiência prévia na área, então? Também não. Desde 1995, quando foi criado o Ministério dos Esportes, jamais tivemos um especialista na pasta. Foram 8 ministros até hoje, de agrônomos a médicos e, atualmente, um teólogo. Isso sem contar o primeiro deles: Pelé. Sim, se você não lembra, “O Rei” foi ministro dos esportes entre 95 e 98. Pausa para reflexão.

Com a escolha do Rio para sediar as Olimpíadas a ideia das cabeças pensantes no governo federal passou a ser transformar o Brasil em uma potência olímpica. O tamanho da ambição: Ficar entre os 10 países com mais medalhas nas olimpíadas de 2016.

Nas Olimpíadas de 2004, na Grécia, o Brasil conseguiu 10 medalhas e ficou em 16º lugar no ranking final. Em 2008, China, ganhamos mais medalhas (15), mas, ficamos apenas no 23º lugar, pois a maior parte foi de medalhas de bronze, que valem menos no ranking. A Etiópia, por exemplo, ficou na nossa frente porque ganhou 1 uma medalha de ouro a mais, embora tenha ganhado apenas 7 no total. Já em 2012, Grã Bretanha, o Brasil ganhou 17 medalhas, ficando em 22º no ranking dos jogos.
Fui ver o desempenho do décimo colocado nas últimas três olimpíadas e comparar com o desempenho do Brasil nelas.

Jogos Olímpicos
Medalha
Brasil
10 Lugar
Grã Bretanha
França
Austrália
2004 (Grécia)
Ouro
5
9


Prata
2
9


Bronze
3
12


Total
10
30


2008 (China)
Ouro
3

7

Prata
4

16

Bronze
8

18

Total
15

41

2012 (Grã Bretanha)
Ouro
3


7
Prata
5


16
Bronze
9


12
Total
17


35
Fonte: COI

Ou seja, o pior resultado de um décimo colocado nas ultimas três olimpíadas foi a Grã Bretanha em 2004, quando teve 9 medalhas de ouro, 9 de prata e 12 de bronze. O melhor resultado do Brasil nesse período foi também em 2004, quando teve 5 de ouro, 2 de prata e 3 de bronze. Para ficar em 10º em 2016, o Brasil precisaria do melhor resultado da sua história nos jogos olímpicos
.
Tendo como base de comparação as últimas olimpíadas (2012), precisaríamos de cerca de 30 medalhas (Nosso melhor até hoje foi 17), sendo pelo menos 7 de ouro, 10 de prata e 13 de bronze, isso seria o mínimo para ter chance.

A partir daí pode-se imaginar o tamanho do desafio proposto pelo Plano Brasil Medalhas, criado pelo Ministério do Esporte. Este previa investimento de 1 bilhão de reais entre 2013 e 2016, sendo a maior parte para apoio a atletas e parcela menor para centros de treinamento. (Não seria uma inversão de prioridades?). Pra mim faz mais sentido investir em infraestrutura para desenvolvimento do esporte e, a partir destas, recrutar jovens e por aí vai. Mas, eu não tenho credenciais para planejar o esporte no país, como um Orlando Silva ou um Aldo Rebelo.

Falta de dinheiro não é exatamente o problema principal para a situação do esporte no Brasil hoje. Entre os anos de 2007 e 2014, o orçamento do Ministério do Esporte foi de R$932 milhões a R$2,2 bilhões, sendo que o ápice foi em 2013, quando atingiu R$3,3 bilhões.

José Cruz[1], referência de jornalismo esportivo, apontou em dezembro de 2013 que naquele ano o Ministério do Esporte tinha gasto 10% do seu orçamento. Um dos motivos, ele dizia, é a falta de projetos. Ou seja, o ministério disponibiliza o dinheiro para universidades, por exemplo, mas, estas não apresentam projetos executivos e o dinheiro acaba não aplicado.

O contingenciamento é outro motivo, o ministério do planejamento restringe o uso do orçamento para aumentar o superávit primário. Em outras palavras, o dinheiro até existe, mas, a parte dele que não é barrada pelo pessoal da tesoura lá no planejamento acaba não sendo devidamente aplicada.

Como disse, a falta de dinheiro não seria um grande problema caso tivéssemos boas ideias e um bom planejamento para o esporte, usando os jogos olímpicos de 2016 para impulsionar o esporte no país, a longo prazo. Ao invés disso, parece que estamos mais preocupados em pular vários degraus e, de uma hora pra outra, virar uma potência olímpica, algo que honestamente não somos ainda, embora tenhamos potencial incrível.

O esporte proporciona grandes histórias e espetáculos sensacionais, surpreendentes. Ele tem um componente inexplicável, um fator imponderável que supera, por vezes, argumentos racionais e previsões técnicas. Parece que, para atingir ao que almejam o COB e o Ministério do Esporte, precisaremos mais do que nunca deste componente, como o “fator casa”, ou algo que o valha.