A Liga dos
Campeões da Europa é um torneio tecnicamente melhor do que a Copa do Mundo.
Sim, é isso mesmo. Claro que a Copa do Mundo tem um apelo especial, o
enfrentamento entre culturas futebolísticas e tudo mais, o que é muito legal. No
entanto, analisando friamente o aspecto técnico do jogo, a Liga dos Campeões é
melhor. Por exemplo: A final deste campeonato para a atual temporada será
Barcelona x Juventus. São dois clubes que juntam jogadores de destaque em
diversas seleções do mundo. O time catalão tem simplesmente Iniesta, Messi,
Neymar e Suarez. Qual seleção do mundo tem algo parecido? A Juventus tem Pirlo,
Pogba e Tevez.
Além de contarem
com um poderio financeiro que permite contratar os melhores jogadores do mundo,
os clubes têm outra vantagem: Treinam e jogam juntos a temporada inteira,
enquanto as seleções normalmente têm cerca de 1 mês de preparação para a Copa
do Mundo.
Em 6 de Junho de
2015 veremos mais uma final da Liga dos Campeões, disputada em Berlim e, embora
muitos acreditem que a Juventus é uma zebra, eu não vejo assim, por se tratar
de um clube com a história que tem (Venceu o torneio duas vezes) e,
principalmente, um elenco cascudo. Buffon, Chiellini, Evra, Pirlo, Tevez. São
jogadores experientes e que não vão ter medo do Barcelona, e à eles se juntam
Pogba, o grande destaque francês do momento, e Vidal, jogador chileno que tem
muita força física e qualidade técnica. Além do mais, o time italiano eliminou
o todo poderoso Real Madri nas semifinais. Os catalães não terão vida fácil em
Berlim.
O Barcelona teve
um início de temporada difícil sob o comando de Luís Enrique. Mas,
transformou-se numa equipe sólida e os três grandes talentos se entendem hoje
como se jogassem juntos há anos. O tipo catalão domina a Espanha e,
independente do que acontecer em 6 de junho, é um dos maiores times de futebol
do mundo. Isso graças, principalmente, ao fato de contar com o que há de melhor
do futebol sul americano no momento. Os melhores atletas de Argentina, Brasil e
Uruguai estão ali, destruindo defesas e promovendo espetáculos. Messi
(Artilheiro da Competição), Neymar e Suarez formam hoje um ataque
impressionante, como poucas vezes se viu nos últimos anos. O poderio sul
americano tem a companhia do que também há de melhor no futebol espanhol:
Andrés Iniesta. Um dos melhores meias em atividade no mundo, se movimenta do
meio para o ataque com bastante tranqüilidade e qualidade técnica, deixando os
astros sul americanos na cara do gol frequentemente.
Todos que
acompanham o Barcelona sabem que o esquema do time não muda muito. É um 4-3-3 quase
sempre, sem mistério. Agora, em relação à Juventus, a equipe italiana tem
jogado mais no esquema apresentado aqui (4-4-2), principalmente nos jogos da
Liga dos Campeões, embora tenha atuado num 3-5-2 em alguns jogos. Ambos esquemas têm vulnerabilidades contra uma
equipe com um poder de fogo como o Barcelona. Os laterais da Juventus devem
atuar como defensores mesmo numa linha de 4 jogadores. Pirlo fica à frente da
defesa, bem na seção onde Messi gosta de circular. Ali o maestro italiano
constrói as jogadas e distribui o jogo, com uma qualidade rara. Aliás, será
fantástico vê-lo novamente disputando uma final de Liga dos Campeões. É bom o
Barcelona prestar bastante atenção em Pirlo, pois, se der liberdade terá
problemas. Pirlo, Marchisio, Pogba e Vidal formam um meio campo fortíssimo, com
grande poder de marcação e qualidade técnica para construir jogadas e finalizar
a média distância. Estes meias vão travar um embate bastante interessante com
Iniesta, Rakitic e Busquets.
A
movimentação do ataque barcelonista tem destruído defesas ao longo da
temporada, sobretudo quando Neymar e Messi partem das pontas para o centro,
arrastando junto os laterais e deixando um espaço enorme para o avanço de
Daniel Alves e Jordi Alba. Neste sentido, será fundamental a atenção da experiente
defesa italiana e a cobertura de Marchisio e Pogba pelos lados.
Por fim, um
componente essencial para um jogo já naturalmente tenso será o reencontro de
Suarez e Chiellini. O Uruguaio tem histórico de comportamentos, no mínimo,
inusitados em campo. O bravo uruguaio mordeu o ombro do zagueiro italiano
durante um jogo da Copa do Mundo de 2014, lembram? Chiellini certamente se
lembra.

