terça-feira, 2 de junho de 2015

Final da Liga dos Campeões: O que há de melhor.

A Liga dos Campeões da Europa é um torneio tecnicamente melhor do que a Copa do Mundo. Sim, é isso mesmo. Claro que a Copa do Mundo tem um apelo especial, o enfrentamento entre culturas futebolísticas e tudo mais, o que é muito legal. No entanto, analisando friamente o aspecto técnico do jogo, a Liga dos Campeões é melhor. Por exemplo: A final deste campeonato para a atual temporada será Barcelona x Juventus. São dois clubes que juntam jogadores de destaque em diversas seleções do mundo. O time catalão tem simplesmente Iniesta, Messi, Neymar e Suarez. Qual seleção do mundo tem algo parecido? A Juventus tem Pirlo, Pogba e Tevez.

Além de contarem com um poderio financeiro que permite contratar os melhores jogadores do mundo, os clubes têm outra vantagem: Treinam e jogam juntos a temporada inteira, enquanto as seleções normalmente têm cerca de 1 mês de preparação para a Copa do Mundo.

Em 6 de Junho de 2015 veremos mais uma final da Liga dos Campeões, disputada em Berlim e, embora muitos acreditem que a Juventus é uma zebra, eu não vejo assim, por se tratar de um clube com a história que tem (Venceu o torneio duas vezes) e, principalmente, um elenco cascudo. Buffon, Chiellini, Evra, Pirlo, Tevez. São jogadores experientes e que não vão ter medo do Barcelona, e à eles se juntam Pogba, o grande destaque francês do momento, e Vidal, jogador chileno que tem muita força física e qualidade técnica. Além do mais, o time italiano eliminou o todo poderoso Real Madri nas semifinais. Os catalães não terão vida fácil em Berlim.

O Barcelona teve um início de temporada difícil sob o comando de Luís Enrique. Mas, transformou-se numa equipe sólida e os três grandes talentos se entendem hoje como se jogassem juntos há anos. O tipo catalão domina a Espanha e, independente do que acontecer em 6 de junho, é um dos maiores times de futebol do mundo. Isso graças, principalmente, ao fato de contar com o que há de melhor do futebol sul americano no momento. Os melhores atletas de Argentina, Brasil e Uruguai estão ali, destruindo defesas e promovendo espetáculos. Messi (Artilheiro da Competição), Neymar e Suarez formam hoje um ataque impressionante, como poucas vezes se viu nos últimos anos. O poderio sul americano tem a companhia do que também há de melhor no futebol espanhol: Andrés Iniesta. Um dos melhores meias em atividade no mundo, se movimenta do meio para o ataque com bastante tranqüilidade e qualidade técnica, deixando os astros sul americanos na cara do gol frequentemente.

Todos que acompanham o Barcelona sabem que o esquema do time não muda muito. É um 4-3-3 quase sempre, sem mistério. Agora, em relação à Juventus, a equipe italiana tem jogado mais no esquema apresentado aqui (4-4-2), principalmente nos jogos da Liga dos Campeões, embora tenha atuado num 3-5-2 em alguns jogos.  Ambos esquemas têm vulnerabilidades contra uma equipe com um poder de fogo como o Barcelona. Os laterais da Juventus devem atuar como defensores mesmo numa linha de 4 jogadores. Pirlo fica à frente da defesa, bem na seção onde Messi gosta de circular. Ali o maestro italiano constrói as jogadas e distribui o jogo, com uma qualidade rara. Aliás, será fantástico vê-lo novamente disputando uma final de Liga dos Campeões. É bom o Barcelona prestar bastante atenção em Pirlo, pois, se der liberdade terá problemas. Pirlo, Marchisio, Pogba e Vidal formam um meio campo fortíssimo, com grande poder de marcação e qualidade técnica para construir jogadas e finalizar a média distância. Estes meias vão travar um embate bastante interessante com Iniesta, Rakitic e Busquets.

A movimentação do ataque barcelonista tem destruído defesas ao longo da temporada, sobretudo quando Neymar e Messi partem das pontas para o centro, arrastando junto os laterais e deixando um espaço enorme para o avanço de Daniel Alves e Jordi Alba. Neste sentido, será fundamental a atenção da experiente defesa italiana e a cobertura de Marchisio e Pogba pelos lados.


Por fim, um componente essencial para um jogo já naturalmente tenso será o reencontro de Suarez e Chiellini. O Uruguaio tem histórico de comportamentos, no mínimo, inusitados em campo. O bravo uruguaio mordeu o ombro do zagueiro italiano durante um jogo da Copa do Mundo de 2014, lembram? Chiellini certamente se lembra.